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Rotas Marítimas Ásia-Brasil:Alterações Causadas pelo Conflito no Oriente Médio

  • há 2 dias
  • 4 min de leitura

As Principais Rotas Marítimas Tradicionais

A rota Brasil-Ásia, especialmente com a China, é uma das mais movimentadas do comércio bilateral, particularmente para o transporte de commodities [1]. Os embarques saem de terminais como Tubarão (ES), Itaqui (MA), Itaguaí (RJ) e Santos (SP).


Historicamente, existem dois trajetos principais utilizados pelos navios que ligam o Brasil à Ásia [1]. O primeiro passa pelo Canal de Suez, cruzando o Oceano Atlântico, passando pelo Mediterrâneo, atravessando o Mar Vermelho e o Oceano Índico, até chegar aos portos asiáticos. O segundo trajeto alterna pelo Cabo da Boa Esperança, contornando a África pelo sul antes de cruzar o Oceano Atlântico em direção ao Brasil.

Além da rota Brasil-Ásia, existe também a rota Brasil-Oriente Médio, importante para exportação de carnes, grãos e açúcar, que geralmente segue via Canal de Suez [1].


Pontos Críticos no Comércio Marítimo Global

O Estreito de Ormuz

O Estreito de Ormuz é uma passagem estratégica entre o Irã, Omã e os Emirados Árabes Unidos. Antes da guerra, aproximadamente 138 navios cruzavam o estreito diariamente, transportando cerca de 20 milhões de barris de petróleo [2]. Estima-se que aproximadamente um quinto da oferta mundial diária de petróleo e gás natural liquefeito passa por essa rota [2].

O Canal de Suez e o Estreito de Bab el-Mandeb

O Canal de Suez é responsável por 12% a 15% do comércio mundial e por aproximadamente 30% do tráfego global de contêineres [2]. Cerca de 9% dos fluxos globais de petróleo marítimo e 8% do volume de gás natural liquefeito transitam por essa rota [2].

O Estreito de Bab el-Mandeb, localizado entre o Iêmen e Djibuti, responde por aproximadamente 12% do comércio global de petróleo [2].

O Estreito de Malaca

O Estreito de Malaca, entre o Oceano Índico e o Pacífico, movimenta mais de 40% do comércio global [2]. Funciona como elo essencial entre o petróleo do Oriente Médio e a demanda asiática, incluindo 80% das importações de petróleo bruto da China [2].


Alterações nas Rotas Causadas pela Guerra


Redução Drástica de Trânsitos

Desde o início do conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irã, os trânsitos através do Estreito de Ormuz caíram entre 90% a 95% [3]. O Irã anunciou que passará a coordenar a passagem de embarcações mediante autorização de órgãos militares e de segurança, barrando unidades consideradas "hostis" [2].

Desvios Obrigatórios pelo Cabo da Boa Esperança

Grandes armadores internacionais como Maersk, Hapag-Lloyd e CMA CGM voltaram a desviar embarcações pelo Cabo da Boa Esperança para evitar a deterioração da segurança na região do Mar Vermelho [2]. Esse desvio representa uma mudança significativa nas rotas tradicionais que passavam pelo Canal de Suez.

Impactos dos Desvios

Os desvios obrigatórios resultam em alongamento significativo das viagens, aumento do consumo de combustível (bunker), elevação das apólices de seguro marítimo e redução da disponibilidade de navios em outras rotas [2].

Alternativas Acionadas

Produtores do Golfo ampliaram o uso de oleodutos e terminais fora do Estreito de Ormuz, como Yanbu, no Mar Vermelho, alimentado pelo oleoduto East-West saudita, e Fujairah, no Golfo de Omã, que permite escoar petróleo dos Emirados Árabes sem depender do Estreito de Ormuz [2]. Novas Rotas Marítimas Brasil-Ásia

Recentemente foi inaugurada uma nova rota marítima direta entre China e Brasil, conhecida como "Canal Dourado", que passa pelo Porto do Pecém, no Estado do Ceará [4]. A rota conecta portos da Ásia à Costa Leste da América do Sul, ampliando a oferta de transporte marítimo entre os continentes [4].

De acordo com informações governamentais, a nova rota marítima entre China e Brasil reduz significativamente o tempo de transporte de cargas, passando pelo Canal do Panamá, Cristóbal (Panamá) e Caucedo (República Dominicana) [4].


Impactos para o Brasil


Importações de Diesel e Fertilizantes

O Brasil importa aproximadamente 30% do diesel que consome, deixando o transporte, agronegócio e inflação mais expostos à alta do barril e ao encarecimento da logística internacional [2].


Nos fertilizantes, a vulnerabilidade é ainda maior. O Brasil depende de importações para abastecer o campo, e parte relevante da ureia comprada pelo país passa pela região do Golfo. Num cenário de guerra, o problema não é apenas preço mais alto, mas também atraso e incerteza na entrega [2].


Medida Governamental Alternativa

O Governo Federal articulou uma alternativa logística para preservar o fluxo de exportações agropecuárias. O Ministério da Agricultura anunciou a conclusão de uma negociação com a Turquia para viabilizar uma rota fora do Golfo Pérsico [2]. A solução permite o trânsito e o armazenamento temporário de cargas brasileiras em território turco, com base em novo certificado sanitário veterinário, para reduzir o impacto das restrições no Estreito de Ormuz sobre embarques destinados ao Oriente Médio e à Ásia Central [2].

Referências

[1] NavSupply. "As 5 principais rotas marítimas que ligam o Brasil com o Mundo". Publicado em 9 de maio de 2025. Disponível em: https://navsupply.com.br/pt-br/blog/principais-rotas-maritimas-o-brasil/

[2] Times Brasil. "Gargalos globais: além de Ormuz, veja outros canais que podem ser impactados pelos conflitos". Publicado em 28 de março de 2026. Disponível em: https://timesbrasil.com.br/mundo/gargalos-globais-alem-de-ormuz-veja-outros-canais-que-podem-ser-impactados-pelos-conflitos/

[3] CBS News. "Strait of Hormuz crisis explained: What it means for global shipping". Publicado em 29 de março de 2026.

[4] Governo do Brasil / Portos e Aeroportos. "Nova rota marítima direta entre China e Brasil fortalece comércio e impulsiona desenvolvimento no Norte e Nordeste". Publicado em 17 de abril de 2025. Disponível em: https://www.gov.br/portos-e-aeroportos/pt-br/assuntos/noticias/2025/04/nova-rota-maritima-direta-entre-china-e-brasil-fortalece-comercio-e-impulsiona-desenvolvimento-no-norte-e-nordeste

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