1 em cada 5 roupas vendidas no Brasil é importada – como isso afeta o seu negócio?
- José Luiz Lugli

- 28 de mai.
- 11 min de leitura
Vinte anos de déficit, regras assimétricas e um mercado que mudou mais rápido do que a indústria conseguiu acompanhar. Entender o que aconteceu é o primeiro passo para decidir o que fazer a seguir.
O Brasil é o maior exportador mundial de algodão. Tem 88% da energia elétrica de fontes renováveis. Opera com uma das cadeias produtivas mais completas do hemisfério sul. E mesmo assim, em 25 anos, perdeu quase um quinto do seu mercado interno de vestuário para produtos vindos de fora. Como isso é possível? A resposta não é simples — mas é necessária.
Este artigo reúne os principais dados e análises que embasaram os vídeos 17A e 17B da série Brasil Têxtil da Lugli, além do relatório de inteligência de mercado de maio de 2026. Não é um texto de alarmismo. É um mapa — e mapas existem para orientar quem precisa atravessar um terreno difícil.
Os números que definem o tamanho do problema
O ponto de partida é o balanço comercial. Em 2024, o setor têxtil e de confecção brasileiro registrou exportações de US$ 909 milhões e importações de US$ 6,6 bilhões. O resultado: déficit de US$ 5,7 bilhões — o segundo pior da história do setor, atrás apenas de 2014. O último superávit foi em 2005. Há duas décadas, o Brasil não exporta mais do que importa em têxteis e confecção.

Esses quatro números juntos contam uma história que vai além do comércio exterior. A participação do setor no PIB encolheu à metade em 25 anos — não porque o Brasil ficou mais rico em outros setores, mas porque a indústria têxtil e de confecção perdeu espaço real dentro da economia nacional.
Os dados mais recentes do IEMI, publicados em fevereiro de 2026, mostram que a participação dos importados no consumo interno de roupas no Brasil chegou a 22,4% em 2025 — contra 14,5% em 2019 e 18,5% em 2022. Em volume de peças, os importados saltaram de 1 bilhão para 1,54 bilhão de unidades entre 2019 e 2025, crescimento de 53%. Na comparação com 2024 isoladamente, o avanço foi de 9,2%. No mesmo período, a produção nacional caiu 9,4% — e está 15,6% abaixo do nível de 2010. Em um mercado de 6,3 bilhões de peças de consumo aparente de vestuário ao ano (IEMI/2023), cada ponto percentual de participação dos importados representa mais de 63 milhões de peças — e os empregos, o faturamento e a capacidade produtiva que deixam de existir dentro do Brasil. Fontes: IEMI/CDL São Luís, fev/2026; IEMI Highlights, 2024.
A corrida com pesos diferentes
Para entender por que isso acontece, é preciso olhar para as regras do jogo. A indústria nacional de confecção carrega uma carga tributária que pode chegar entre 80% e 90% sobre o custo final do produto, somando ICMS, IPI, PIS, Cofins, IRPJ e encargos trabalhistas ao longo de toda a cadeia. As plataformas estrangeiras, enquanto vigorou a taxação de 20% sobre remessas de até US$ 50, operavam com carga efetiva próxima de 45%.
Em maio de 2026, o governo federal zerou esse imposto. A ABIT classificou a decisão como extremamente equivocada, afirmando ser inadmissível que empresas brasileiras arquem com elevada carga tributária, juros reais altíssimos e custos regulatórios enquanto concorrentes estrangeiros recebem vantagens ainda maiores para acessar o mercado nacional.
O resultado prático dessa assimetria é visível na cadeia: o jeans importado básico chega ao atacado nacional entre R$ 20 e R$ 45 por peça. O equivalente nacional — com os mesmos encargos, o algodão cotado em dólar e os mesmos custos regulatórios — precisa ser vendido entre R$ 80 e R$ 130 para ter margem sustentável. Competir no mesmo patamar de preço não é ineficiência da indústria nacional. É impossibilidade matemática. |
Mas a assimetria não é só tributária. A fábrica brasileira que fornece para grandes redes varejistas precisa passar pela auditoria da ABVTEX, comprovar origem da fibra, condições de trabalho e impacto ambiental. O produto importado entra sem passar pelo mesmo processo. Não há equivalência de exigência — e, portanto, não há equivalência de custo.
A Shein, maior plataforma de ultra fast fashion do mundo, faturou estimados R$ 15 bilhões no Brasil em 2023, segundo análise do BTG Pactual. Um único player estrangeiro movimentou, em um ano, mais de 7% do faturamento total da indústria têxtil e de confecção nacional — sem passar pelas mesmas exigências fiscais, trabalhistas e de compliance que as empresas brasileiras cumprem.
O que o consumidor não sabe sobre o que está comprando
Há uma dimensão do debate sobre importados que raramente aparece na imprensa e quase nunca chega ao consumidor: a segurança química dos produtos que entram no Brasil sem certificação.
Em 2024, autoridades de saúde da Coreia do Sul testaram 144 produtos de plataformas como Shein, Temu e AliExpress. Vários não cumpriam as diretrizes de segurança estabelecidas. Calçados da Shein continham ftalatos — substâncias associadas à disrupção hormonal e a cânceres — em quantidades 229 vezes acima do limite legal. Produtos infantis chegaram a 428 vezes o limite permitido.
No mesmo ano, a revista alemã Öko-Test analisou 21 produtos da Shein e reprovou dois terços deles. Jaquetas de couro sintético continham hidrocarbonetos aromáticos policíclicos cancerígenos em 22 vezes o nível máximo permitido na Europa. No Canadá, o Health Canada recolheu uma jaqueta infantil da Shein após investigação da CBC: o nível de chumbo era quase 20 vezes o limite legal canadense para produtos infantis.

A fábrica brasileira, por outro lado, está sujeita a auditorias. Comprova origem da fibra. Tem rastreabilidade. Cumpre normas trabalhistas. Esse compliance tem custo — e esse custo está no preço. Quando o consumidor escolhe a peça mais barata sem saber o que ela carrega, não está apenas fazendo uma escolha econômica. Está tomando uma decisão sobre saúde e sobre o tipo de cadeia produtiva que quer financiar.
As vantagens que o Brasil tem — e não está usando
O paradoxo mais desconcertante do setor têxtil brasileiro é que o país tem, objetivamente, as condições para liderar a produção global de fibras naturais de qualidade. Três fatos estruturais que raramente entram nessa discussão:

Mas ter esses ativos não significa usá-los. Mais de 50% do algodão produzido no Brasil é exportado como matéria-prima bruta — e volta ao país como produto acabado, manufaturado por outro país. Exportamos a fibra e importamos a roupa. Exportamos o valor bruto e importamos o valor agregado.
O setor têxtil brasileiro tem hoje 25,3 mil empresas formais e emprega 1,3 milhão de pessoas diretamente. Quando a indústria perde espaço para os importados, são principalmente mulheres — que representam 80% da força de trabalho do setor — que perdem emprego. O debate sobre importados raramente é enquadrado como debate sobre emprego feminino, desenvolvimento regional ou soberania industrial. Talvez devesse ser.
O varejo em transformação: novas regras para toda a cadeia
Enquanto a indústria enfrenta a assimetria regulatória, o varejo está passando por uma transformação estrutural que redefine sua relação com os fornecedores nacionais. Pesquisa CNDL/SPC Brasil de junho de 2025, realizada com consumidores online nas capitais, aponta que 96% desse universo utilizaram ao menos um marketplace internacional nos últimos 12 meses — categoria que inclui Shopee (75%), Mercado Livre (63%), Amazon e Shein. A CNDL estima que 68,1 milhões de brasileiros compraram produtos importados ou enviados de outros países no período.
O grande varejista nacional não é mais o concorrente do importado — ele é também seu canal de distribuição. O Mercado Livre, com Centro de Distribuição na China desde 2025, passou a competir diretamente em cross-border de moda. A Amazon Brasil zerando taxas para produtos abaixo de R$ 79. A Shein disponível em múltiplos aplicativos com entrega em 7 a 15 dias.
O resultado para a indústria nacional é uma exigência crescente e simultânea: o varejo quer lotes menores, entrega mais rápida, preço mais baixo e compliance verificável. Fornecedor que não consegue atender esse ritmo perde espaço nas grades de compra — para importadores que chegam com estoque pronto e preços impossíveis de replicar com as regras atuais. |
E o consumidor que sustenta esse sistema? Segundo pesquisa da McKinsey com a Scanntech, o volume de unidades vendidas no varejo caiu 1,8% de janeiro a outubro de 2025 em comparação com o mesmo período de 2024. O brasileiro ficou mais criterioso: compara preços, espera pela promoção, compra menos por impulso. A Euromonitor aponta que apenas 14% dos consumidores compraram por impulso em 2024. O crescimento do varejo em reais esconde uma queda em quantidade de peças.
O consumidor que não segue mais um roteiro
Durante décadas, a jornada de compra de roupas seguia uma lógica previsível: o consumidor via o anúncio, ia à loja, experimentava, decidia, pagava. O varejista que controlasse o ponto de venda controlava a jornada. Esse modelo não existe mais — e a ruptura não é gradual. É estrutural.
A pesquisa Consumo de Moda no Brasil, realizada pelo Opinion Box com 1.114 pessoas em todo o país entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, mostra que o comportamento de compra de moda hoje é predominantemente híbrido: 38% compram tanto em lojas físicas quanto online, 29% compram principalmente em lojas físicas mas também usam o digital, e 23% compram majoritariamente pela internet mas recorrem ao físico em algumas ocasiões. Apenas uma minoria opera exclusivamente em um único canal.

O consumidor não enxerga os canais como excludentes — ele os usa como etapas complementares de uma mesma decisão. Os critérios que guiam essa decisão são racionais e consistentes independentemente do canal: preço (74%), qualidade (70%), promoções e descontos (66%) e variedade (59%) são os fatores determinantes. A fidelidade à marca ou ao canal ficou em segundo plano — o que ficou em primeiro foi o valor percebido na compra.
Esse último dado — 45% abandonando carrinhos por prazo longo — é uma das oportunidades mais diretas para o varejo nacional frente ao importado: plataformas como Shein e AliExpress entregam em 20 a 40 dias. O varejista nacional, com estoque local, entrega em 1 a 3 dias nos grandes centros. Essa vantagem não está sendo comunicada com clareza suficiente — e não está sendo precificada como diferencial.
A nova jornada de compra favorece quem está próximo, quem é rápido e quem é confiável na entrega e no pós-venda. Esses três atributos não dependem de preço — dependem de organização produtiva e de integração de canais. São a vantagem estrutural que a indústria nacional tem sobre o importado asiático, e que ainda está sendo subutilizada. |
O Brasil não é um só: como o clima e a renda moldam o consumo regional
Um dado que raramente aparece nas análises nacionais de vestuário: a região Sul concentra a maior proporção de consumidores que compram três ou mais peças por visita, segundo pesquisa do IEMI com 1.440 entrevistados em todas as regiões do país. É também a região mais sensível à sazonalidade de inverno — e onde o impacto do clima nas vendas é mais documentado e direto.
Pesquisa do BTG Pactual analisou os dados do segundo trimestre de 2010 a 2024 das cinco maiores empresas de moda listadas em bolsa no Brasil — Arezzo/Azzas 2154, C&A, Renner, Track & Field e Veste — e concluiu que as altas temperaturas registradas em 2024 levaram à queda nas vendas de roupas de inverno. A Arezzo registrou explicitamente em seu balanço de 2023 que o 'inverno menos severo no país' pressionou os resultados. Em 2022, o contrário: uma temporada fria severa, com a menor temperatura em décadas, gerou 'alta demanda por coleções de inverno, resultando em aumento substancial nas vendas a preço integral'.
Com o clima cada vez mais imprevisível — o El Niño de 2026 pode alterar o padrão de frio no Sul e Sudeste —, o fabricante de malha de inverno, jeans pesado e peças de camadas enfrenta um risco adicional: planejar coleção para um inverno que não vem. A resposta do mercado está sendo coleções menores e mais frequentes, com reposição rápida conforme o tempo realmente apertar.
No Nordeste e Norte, o clima quente praticamente sem sazonalidade de inverno define um perfil de consumo estruturalmente diferente: predominam peças leves, de baixo custo relativo e alta rotatividade. O consumidor nordestino tem renda per capita abaixo da média nacional e é proporcionalmente mais sensível à diferença de preço — o que o torna mais vulnerável à oferta de plataformas asiáticas com peças entre R$ 35 e R$ 80. O Nordeste foi a região onde a produção de vestuário mais recuou em 2025: queda de 4,9% em novembro, enquanto o Brasil como um todo crescia 1,0% (ETENE/BNB, dez/2025).
O Agreste pernambucano representa, dentro desse cenário difícil, um movimento de resistência: o polo avança no elo final da cadeia — confecção e varejo local — respondendo com agilidade à demanda regional. É um modelo que mostra que escala não é o único caminho: velocidade e proximidade ao mercado também protegem margem.
A concentração do consumo é urbana: municípios de maior porte respondem por 87,9% da demanda potencial de vestuário e concentram 71,1% das lojas especializadas (IEMI, 2023). O crescimento está nas cidades médias — e o fornecedor que chegar antes nessas praças, com produto adequado ao clima e ao poder aquisitivo local, ganha vantagem de relacionamento que o importado não consegue construir à distância. |
O que isso significa para quem está no mercado agora
O diagnóstico é pesado, mas não é sentença. As empresas que estão crescendo nesse ambiente têm em comum uma característica: clareza de posicionamento. Não tentam competir com o importado no básico — competem onde o importado não consegue chegar.
A Track & Field, que opera no segmento de malha técnica para esporte e wellness, cresceu em média 25% ao ano entre 2019 e 2024. Lojas reformadas no conceito Experience Store apresentam 46,4% a mais em vendas. A Lojas Renner registrou lucro líquido recorde de R$ 1,5 bilhão em 2025, com margem bruta de 56,1% — o maior nível em seis anos — apoiada em investimento de cerca de R$ 1 bilhão ao ano em tecnologia e dados. A Havan mantém 95% da linha Havan Casa em produção nacional, com grandes fabricantes brasileiros desenvolvendo produtos exclusivos.
O padrão é consistente: diferenciação técnica, velocidade de resposta, rastreabilidade e uso de dados. São as quatro características que o importado básico de plataforma, por sua própria natureza operacional, não consegue oferecer com a mesma qualidade.
Onde a indústria nacional ainda tem vantagem real |
Personalização e lead time curto — o importado asiático precisa de 45 a 90 dias e lotes mínimos elevados. O fornecedor nacional pode entregar amostras em 2 semanas e lotes ajustados em 30 dias. Certificação e compliance — auditoria ABVTEX, rastreabilidade ABR/SouABR e Oeko-Tex são exigências crescentes das grandes redes e do mercado internacional que o importado básico não consegue apresentar. Compras governamentais — hospitais públicos, forças armadas e universidades federais demandam enxoval têxtil via licitação, com margem de preferência de até 20% para produtos nacionais pela nova Lei de Licitações. |
No segundo artigo desta série, a análise avança para os três vetores de pressão que se acumulam sobre o setor em 2026 e para as estratégias concretas — verificadas em resultados reais de empresas brasileiras — que cada segmento da indústria pode usar para atravessar esse período com margem preservada.
Fontes
1 IEMI — Apresentação IEMI Experience, Febratex Summit, Blumenau-SC, set/2025: queda de 58% nas exportações e crescimento de 585% nas importações em toneladas (2000–2024). Confirmado: Revista Costura Perfeita, set/2025.
2 ABIT. Balanço do setor 2024, jan/2025: exportações US$ 909 mi, importações US$ 6,6 bi, déficit US$ 5,7 bi. Confirmado: CNN Brasil, jan/2025; Jornal do Brasil, jan/2025.
3 IBGE. Participação do setor no PIB: 4,1% (antes de 2000), 3,2% (2010), 1,8% (2024). Citado: Times Brasil, mar/2025.
4 IEMI / CDL São Luís, fev/2026. Participação de importados no consumo de vestuário: 14,5% em 2019, 18,5% em 2022, 22,4% em 2025 — 1,54 bi de peças, +53% vs. 2019, +9,2% vs. 2024. IEMI Highlights, 2024: 20,6% em 2023.
5 BTG Pactual (apud Poder360, abr/2024). Estimativa faturamento Shein Brasil: R$ 15 bilhões em 2023.
6 ABVTEX. Carga tributária nacional entre 80% e 90%. Citado: Jornal do Comércio, jul/2025.
7 Poder360 e Gazeta do Povo, mai/2026. Revogação da taxa de 20% sobre remessas até US$ 50. Declaração ABIT: 'inadmissível'.
8 Autoridades de Seoul, mai/2024 (apud Exame, ago/2024). Ftalatos 229x acima do limite em calçados da Shein; produtos infantis: 428x.
9 Öko-Test, 2024 (apud Funchal Notícias, jun/2025). 2/3 dos produtos Shein reprovados; PAHs cancerígenos 22x acima do limite europeu.
10 Health Canada / CBC Marketplace. Chumbo quase 20x acima do limite em jaqueta infantil da Shein.
11 ABRAPA. Brasil maior exportador mundial de algodão desde 2024, com 33% das exportações globais. Revista Cultivar, dez/2025.
12 EPE/MME — Balanço Energético Nacional 2025 (ano-base 2024): 88,2% de fontes renováveis na matriz elétrica.
13 CNDL/SPC Brasil, jun/2025. 96% dos consumidores online nas capitais utilizaram ao menos um marketplace internacional. 68,1 milhões de brasileiros compraram produtos importados.
14 McKinsey & Company / Scanntech, 2025. Volume de unidades no varejo: queda de 1,8% jan-out/2025 vs. 2024.
15 Havan RI (set/2021); NDMais (abr/2022). 95% da linha Havan Casa em produção nacional; Karsten, Lepper e Dohler produzem linhas exclusivas.
16 Bloomberg Línea / Banco Safra (2025–2026). Track & Field: crescimento médio de 25% ao ano entre 2019 e 2024; lojas reformadas +46,4%.
17 PR Newswire, mar/2026. Lojas Renner: lucro líquido de R$ 1,5 bi em 2025 (+22%); margem bruta de 56,1%.
18 Opinion Box — Consumo de Moda no Brasil, jan/2026 (N=1.114). Critérios de decisão, jornada híbrida, multicanal. Wake e Opinion Box — Omnicanalidade no Brasil, 2025 (78,9% alternam canais).
19 ABComm/Neogrid, nov/2024 (compilado por Vitor Peyroton, Relatório E-commerce de Moda 2025). Webrooming (44%), click & collect (54%), abandono de carrinho por prazo (45%).
20 IEMI — Comportamento de Compra do Consumidor de Vestuário 2023/24 (N=1.440). Região Sul: maior concentração de compradores de 3+ peças. iemi.com.br.
21 BTG Pactual — análise clima e vendas das 5 maiores empresas de moda de capital aberto (2010–2024). Publicado em B3/Bora Investir, ago/2024.
22 ETENE/BNB — Caderno Setorial de Vestuário, dez/2025. Produção: Brasil +1,0%, Nordeste -4,9%, Ceará -9,8% em novembro de 2025.
23 IEMI, 2023 (iemi.com.br, ago/2024). 87,9% da demanda potencial em municípios de maior porte; 71,1% das lojas especializadas nesses municípios.




Mình chơi xổ số kiểu cho vui là chính, nên thường chỉ xem kết quả để giải trí chứ không đặt nặng chuyện trúng hay không. Trước đây nghe người ta bàn về mấy kiểu “cầu kèo” mình cũng nghi nghi, nhưng theo dõi lâu thì thỉnh thoảng thấy có vài chỗ lặp lại làm mình để ý. Dạo gần đây mỗi khi đọc dự đoán, mình hay ghi lại vài dòng ngắn rồi vài hôm sau đem ra so, xem có phải mình tự tưởng tượng quá không. https://soicauxsmb.io/soi-cau-3s-mien-bac.html đôi lúc giúp mình có thêm chủ đề tám với bạn bè, nhưng mình vẫn tự nhắc phải giữ tỉnh táo. Có bữa trúng chút thì vui, còn sai thì…
Se nós brasileiros víssemos como somos ignorantes de da tanto ênfase em produtos importados, o Brasil e a indústria têxtil não estava perdendo tanto mercado.
Excelente.