top of page
Lugli - Logo - RGB - PNG_assinatura horizontal - branco.png

Taxa das Blusinhas: o Brasil na contramão do mundo?

  • Foto do escritor: José Luiz Lugli
    José Luiz Lugli
  • há 3 dias
  • 5 min de leitura

A segunda data mais importante do varejo brasileiro se aproxima com expectativa de crescimento, mas também com desafios de crédito, clima e concorrência importada. O que o setor têxtil pode esperar para o 11 de maio.


1. UMA DATA QUE VALE BILHÕES

O Dia das Mães é, para o varejo têxtil, o equivalente ao que o carnaval é para a cerveja: uma data em que o consumidor está emocionalmente predisposto a abrir a carteira. Consolidada como a segunda data mais importante do comércio nacional — atrás apenas do Natal —, ela movimentou R$ 14,37 bilhões em 2025, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Para 2026, as projeções são ainda mais otimistas. Estimativas do setor apontam que o varejo deve movimentar em torno de R$ 16,3 bilhões, com forte crescimento projetado. No e-commerce, a ABIACOM projeta R$ 11,06 bilhões — crescimento de 10,78% em relação a 2025 — com 18,49 milhões de pedidos e ticket médio de R$ 598,23.

A data deste ano cai no domingo, 11 de maio, e o setor já sente o aquecimento: 75% dos consumidores brasileiros afirmam ter intenção de presentear, segundo pesquisa da Globo, e 8 em cada 10 concordam que o Dia das Mães sempre será uma data importante para eles.


2. MODA NO TOPO DAS PREFERÊNCIAS

Em todas as edições recentes, o segmento de vestuário, calçados e acessórios lidera as intenções de compra para o Dia das Mães — e 2026 não deve ser diferente. A CNC projeta um faturamento de R$ 5,63 bilhões apenas nesta categoria, alta consistente nos últimos anos. Em São Paulo, a FecomercioSP prevê crescimento de 14,7% nas vendas de vestuário, tecidos e calçados durante o período.


O e-commerce confirmou o protagonismo da moda em 2025: segundo a Neotrust, o Dia das Mães gerou crescimento de 26% nas vendas digitais do período, mesmo com leve queda no ticket médio. Kits de bolsas praticamente dobraram de volume, e a categoria de calçados femininos registrou alta de cerca de 20% nas semanas que antecederam a data.


Números do Dia das Mães para o setor têxtil (2025–2026)

R$ 16,3 bilhões — expectativa total do varejo para o Dia das Mães 2026

R$ 5,63 bilhões — faturamento projetado para vestuário, calçados e acessórios (CNC)

+14,7% — crescimento esperado em vendas de vestuário no estado de SP (FecomercioSP)

R$ 11,06 bilhões — expectativa de vendas no e-commerce para a data (ABIACOM)

75% dos consumidores pretendem presentear em 2026 (Pesquisa Globo)


3. O QUE AS MÃES QUEREM — E O QUE OS FILHOS COMPRAM

Um dado curioso da pesquisa Globo 2026 é que existe uma diferença considerável entre o que os filhos planejam comprar e o que as mães realmente desejam ganhar. Conhecer esse gap é estratégico para quem produz e vende no setor têxtil.


O gasto médio com presentes deve se concentrar na faixa entre R$ 51 e R$ 200 (48% das intenções de compra), segundo a mesma pesquisa. Já dados da Abecs com o Datafolha indicam ticket médio entre R$ 209 e R$ 295, dependendo da classe social. Um dado importante: 56% dos consumidores afirmam que a mãe já sabe o que quer e pretendem seguir as dicas dela — o que favorece estratégias de lista de desejo e curadoria personalizada.


No segmento de moda, as tendências para presentear em 2026 apontam para tecidos naturais (seda pura, linho e algodão), peças versáteis de alfaiataria, vestidos fluidos e itens de descanso como pijamas de qualidade. A lógica é a do presente atemporal: a consumidora feminina acima de 40 anos — perfil dominante do Dia das Mães — valoriza qualidade e durabilidade acima de tendências passageiras.


Destaques por segmento de moda — Dia das Mães 2025/2026


4. OS DESAFIOS QUE O SETOR TERÁ DE ENFRENTAR

Nem só de boas notícias é feita a perspectiva para esta data. O setor têxtil entra no Dia das Mães de 2026 sob pressão de três frentes simultâneas: macroeconômica, climática e competitiva.


Crédito caro e consumidor endividado

A taxa Selic permanece em 14,75% ao ano, restringindo o crédito especialmente para consumidores de média e baixa renda — que representam fatia significativa da clientela do varejo de moda. O endividamento elevado das famílias tende a comprimir o ticket médio e tornar o consumidor mais seletivo. Para o setor, isso significa que preço, custo-benefício e facilidades de pagamento serão diferenciais decisivos.


A sazonalidade climática

O Dia das Mães marca, no Brasil, a transição para o outono-inverno — o que exige planejamento cuidadoso de coleções e estoques. A imprevisibilidade climática dos últimos anos, com temperaturas acima da média em partes do país, dificulta a antecipação de tendências e pode deixar lojistas com estoques inadequados. A ABVTEX alerta que as marcas precisam adotar ciclos de produção mais flexíveis para evitar tanto o excesso quanto a falta de produtos.


A concorrência das plataformas digitais asiáticas

Shein, Shopee e AliExpress continuam disputando o consumidor de moda por preço — e o debate sobre a taxa das blusinhas, que abordamos em artigo anterior, torna esse cenário ainda mais tenso. Se a taxa for revogada antes do Dia das Mães, o varejo nacional pode sentir os efeitos imediatamente, com a concorrência digital estrangeira ganhando ainda mais espaço numa data de alto volume de busca e compra.


5. OPORTUNIDADES PARA A CADEIA PRODUTIVA

O Dia das Mães, apesar dos desafios, representa uma janela concreta de oportunidade para toda a cadeia: da fiação à confecção, do tecido à prateleira. Alguns vetores merecem atenção especial:


Qualidade como diferencial. O consumidor do Dia das Mães está disposto a pagar mais por um presente que 'dure'. Tecidos com toque, caimento e acabamento superiores têm vantagem natural frente ao fast fashion importado — e essa é a competência do setor produtivo nacional.


Omnicanalidade e conveniência. A integração entre lojas físicas e digitais é apontada pela ABVTEX como fundamental para converter intenção em venda. Marcas que oferecem facilidade de troca, entrega rápida e vale-presente saem na frente em datas de alta incerteza na escolha.


O e-commerce cresceu 26% em 2025. Para fabricantes e distribuidores da cadeia têxtil, isso significa que seus clientes varejistas precisam de coleções preparadas para a fotografia e para o digital — com descrições claras de composição, modelagem e cuidados de lavagem.


Tecidos naturais em alta. Seda, linho e algodão de qualidade lideram as preferências no segmento premium de presenteáveis. Para fornecedoras de fios e fibras, essa é uma sinalização de mercado relevante para direcionar esforços comerciais.


CONCLUSÃO

O Dia das Mães 2026 chega com projeções positivas para o setor têxtil, mas exige leitura fina do cenário. O consumidor está presente — emocional e financeiramente — mas é mais criterioso. Ele quer qualidade, conveniência e valor percebido. O setor que souber entregar esses três elementos, com produtos feitos no Brasil e com a rastreabilidade de uma cadeia produtiva responsável, tem tudo para transformar a data em resultado concreto.


Para a Lugli Fibras e Fios, acompanhar essa movimentação sazonal não é apenas uma questão comercial: é parte de entender o pulso da cadeia têxtil e antecipar as demandas que chegam das indústrias confeccionistas que atendemos.


Fontes: CNC, FecomercioSP, ABVTEX, ABIACOM, Neotrust, Abecs/Datafolha, Pesquisa Globo Dia das Mães 2026, Nubimetrics, Monitor Mercantil, FashionNetwork Brasil.

© 2026 Lugli Fibras e Fios  —  Análise editorial para uso interno e publicação no site institucional.

Comentários


bottom of page