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Evolução do Mercado de Algodão em Março: Alta do Indicador ESALQ, Retenção de Oferta e Impactos Globais

  • Foto do escritor: José Luiz Lugli
    José Luiz Lugli
  • há 2 dias
  • 4 min de leitura

Lugli Fibras e Fios | Análise de Mercado


O mercado de algodão em pluma encerrou o mês de março de 2026 com uma forte valorização, impulsionado pela atratividade das exportações e por uma postura defensiva dos produtores no mercado interno. Além dos fatores domésticos, a escalada das tensões geopolíticas globais tem exercido forte influência sobre os custos de produção e a dinâmica de plantio. Para a indústria têxtil, compreender esse cenário complexo é fundamental para o planejamento de compras e gestão de estoques nos próximos meses.


A Escalada do Indicador ESALQ e a Paridade de Exportação

Durante o mês de março, o Indicador CEPEA/ESALQ para o algodão em pluma registrou uma trajetória de alta consistente. No início do mês, em 02 de março de 2026, o indicador operava a R$ 3,5248 por libra-peso. Já no fechamento do mês, em 30 de março de 2026, a cotação atingiu a expressiva marca de R$ 3,8998 por libra-peso [1].


Essa valorização de mais de 10% no período reflete diretamente o aumento da paridade de exportação. A alta do Índice Cotlook A (referência para a pluma entregue no Extremo Oriente) e a forte demanda internacional tornaram o mercado externo altamente atrativo. Segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), a paridade de exportação para o algodão de Mato Grosso (trajeto Rondonópolis até o Porto de Santos) apresentou forte sustentação ao longo do mês. No final de fevereiro e início de março, a cotação doméstica já operava com prêmios positivos em relação à paridade, e no fechamento de março (30/03), a indicação média de frete e custos logísticos até o porto (cerca de R$ 395,00 por tonelada) manteve a competitividade da pluma brasileira no exterior, com a cotação interna operando cerca de 3,7% acima da paridade de exportação [1] [2] [5].


Retenção de Oferta pelos Produtores

Um fator crucial que tem sustentado os preços elevados no mercado doméstico é a postura dos cotonicultores brasileiros. Informações confirmadas pelo mercado indicam uma forte retenção de oferta da safra atual por parte dos produtores [3].


Em vez de liquidar seus estoques, os produtores estão retendo a fibra nos armazéns e recusando propostas com valores mais baixos. O objetivo dessa estratégia é aguardar por prêmios mais rentáveis, aproveitando o momento de alta competitividade global e a urgência das tradings em adquirir lotes para exportação [3].


Impactos da Guerra EUA x Irã nos Custos e Fertilizantes

A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio tem gerado reflexos diretos na cadeia produtiva do algodão. A principal consequência é a alta expressiva nas cotações do petróleo e do gás natural, que encarece significativamente os custos operacionais em diversas frentes [4].


O impacto mais severo tem sido observado nos fertilizantes nitrogenados (como a ureia), que são altamente dependentes do gás natural e do petróleo em seu processo de fabricação. Com a crise no Oriente Médio — uma região chave na produção global de petroquímicos —, os preços desses insumos dispararam. Além dos fertilizantes, os defensivos químicos sofreram reajustes, e o aumento do diesel impactou fortemente o frete rodoviário e marítimo, elevando o custo logístico. Indiretamente, o encarecimento do petróleo também elevou os custos de produção das fibras sintéticas (como o poliéster), tornando o algodão uma alternativa mais competitiva e aumentando a demanda global pela pluma [4] [6].


Perspectivas: Redução de Área para a Safra 26/27

Diante da forte pressão sobre os custos de produção, especialmente dos fertilizantes nitrogenados, o mercado já sinaliza uma retração na área cultivada com algodão para o próximo ciclo (2026/27). O principal motivo para essa redução é a piora nas relações de troca, ou seja, o custo elevado dos insumos frente ao preço projetado da pluma tem reduzido a atratividade do investimento [4].


Como reflexo dessa insegurança econômica, há uma desaceleração drástica nas vendas de insumos. Até o fim do primeiro trimestre de 2026, apenas 11% dos fertilizantes destinados à cultura haviam sido comercializados, um número alarmante quando comparado aos cerca de 40% registrados no mesmo período do ciclo anterior. Os produtores estão optando por postergar compras e preservar capital, o que inevitavelmente limitará a expansão das lavouras [4].


Impactos para a Indústria Têxtil

Para as fiações e indústrias têxteis nacionais, esse cenário cria um ambiente de restrição física no mercado spot (à vista). Enquanto a exportação absorve grande parte dos lotes disponíveis, as empresas que dependem de compras imediatas enfrentam dificuldades para conciliar preços e garantir o abastecimento [3].


Diante dessa realidade, a recomendação para o setor é manter um monitoramento constante das cotações e, sempre que possível, trabalhar com matéria-prima já contratada a termo, protegendo as margens operacionais contra as flutuações do mercado à vista.

A Lugli Fibras e Fios segue acompanhando de perto as movimentações do mercado agrícola e global para fornecer as melhores informações e soluções aos nossos parceiros.


Referências

  1. [1] CEPEA/ESALQ. "ALGODÃO/CEPEA: Alta na paridade de exportação sustenta preços internos". 25 de março de 2026. Disponível em: https://cepea.org.br/br/diarias-de-mercado/algodao-cepea-alta-na-paridade-de-exportacao-sustenta-precos-internos.aspx

  2. [2] IMEA - Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária. Relatórios de Mercado e Paridade de Exportação. Março de 2026.

  3. [3] Broto Notícias. "Preços do algodão em março mantêm alta com foco na exportação". 25 de março de 2026. Disponível em: https://noticias.broto.com.br/cotacoes/precos-algodao-marco-2026-alta-exportacao/

  4. [4] Repórter Agro. "Queda na venda de insumos acende alerta para safra de algodão 2026/27". 25 de março de 2026. Disponível em: https://www.reporteragro.com.br/noticia/11100/queda-na-venda-de-insumos-acende-alerta-para-safra-de-algodao-202627

  5. [5] Projeto Soja Brasil. "Line-up de exportações nos portos brasileiros". Março de 2026.

  6. [6] Canal Rural Mato Grosso. "Custeio do algodão 2026/27". Março de 2026.

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